sobre livros e a vida

13/10/2016

Tá Na Estante :: ‘Placebo Junkies’ #583

Oi, gente. Tudo bem?

Ando meio sumido aqui do blog por conta da faculdade, semana de provas ferrando com a nossa vida desde sempre. Mas hoje arrumei um tempinho pra vir falar pra vocês sobre uma das minhas últimas leituras. Vamos conferir?!

Livro: Placebo Junkies
Autora: J. C. Carleson
Editora: Fábrica 231
Páginas: 304
Sinopse: Audie é uma jovem como qualquer outra, mas encontrou uma forma incomum de descolar uns trocados: ela serve de cobaia para a indústria farmacêutica. Neste irreverente romance, J.C. Carleson, ex-agente da CIA, mergulha no universo pouco conhecido, mas muito impressionante, dos voluntários em série de testes farmacológicos. Na tradição de Trainspotting e Drugstore Cowboy, doses cavalares de humor negro disputam espaço na trama com o drama de jovens que vivem no limite. No caso de Audie, ela precisa juntar dinheiro para oferecer a Dylan, seu namorado que tem uma doença terminal, uma festa de aniversário de 18 anos inesquecível. “Não há ganho sem dor”, ela repete, em meio aos efeitos colaterais das substâncias e procedimentos a que está sujeita e aos esquemas para lidar com eles. Mostrando as entranhas de um mundo desconhecido da maioria das pessoas, Placebo Junkies arrancou elogios da crítica com sua narrativa original e completamente viciante.

Audie não teve uma infância muito fácil e tornar-se uma rata de laboratório foi a melhor alternativa para ela ser alguém. A jovem ganha a vida participando de experimentos farmacêuticos, testando novas drogas que precisam de aprovação antes de ser vendidas aos consumidores. Muitas vezes, durante os estudos, ela recebe apenas placebos, mas em alguns casos a droga faz efeito e as consequências não são muito agradáveis.

Entretanto, Audie já está acostumada com essa vida. Ela divide um apartamento com seus amigos Jameson e Charlotte, além de estar em um relacionamento com David. Ela é completamente apaixonada pelo garoto e sabe que ele não é muito adepto ao seu trabalho, já que está lutando contra um câncer e odeia hospitais, mas respeita a decisão dela, o que deixa Audie satisfeita.

O aniversário de 18 anos de David está chegando e Audie quer presenteá-lo de uma forma inesquecível. O sonho do garoto é conhecer a Patagônia e Audie deseja levá-lo a todo custo para fazer essa viagem, mas precisará de muito dinheiro para isso. Então, quando Charlotte propõe que Audie junte-se a ela para fazerem parte de vários testes ao mesmo tempo e arrecadar uma boa quantia em dinheiro, a jovem acaba aceitando.

Muitos estudos ao mesmo tempo podem ser um grande risco, devido aos efeitos colaterais de cada droga específica. Só que com a perspectiva do dinheiro, Audie não dá bola para o perigo e vai se enfiando cada vez mais nos experimentos, até que uma bomba cai em seu colo.

Após participar de algum teste, Charlotte passou mal e morreu. Simples assim. Audie não sabe muito bem como lidar com a morte da melhor amiga, mas vê nisso uma chance de conseguir ainda mais dinheiro. Ela já havia se passado por Charlotte algumas vezes, então está determinada a assumir a identidade da colega morta e participar dos testes como se fosse ela, assim arrecadando também o dinheiro que iria para Charlotte.

Obviamente, as coisas saem de controle e ao participar de um estudo psiquiátrico, a noção de realidade de Audie vai se alterando e ela começa a perceber que não pode confiar em nada do que acreditava. O mundo dos testes farmacêuticos é ainda mais sombrio e sem a capacidade de distinguir o real do imaginário, ela está em sérios apuros…

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

Quando vi Placebo Junkies dentre os lançamentos de setembro da editora Rocco, a atração foi imediata. Como estudante de biomedicina, ler uma história que se passa dentro do hospital e mostra um lado obscuro dos testes de medicamentos parecia uma grande aposta. Porém, o livro é bem diferente do que eu esperava e ainda não decidi se gostei disso ou não.

A escrita de J. C. Carleson é bastante fluida. Logo nas primeiras páginas a autora me prendeu e li quase metade do livro em uma sentada. Os capítulos curtos e a narrativa em primeira pessoa ajudaram bastante nisso. O problema foi que na metade pareceu que a autora se perdeu e todo o conceito que criou e me instigou foi caindo por terra.

A história não segue linearmente. Conhecemos Audie e vemos como ela vive sendo uma rata de laboratório, mas em alguns momentos a trama volta para algum acontecimento do passado e você acha que este terá relevância mais à frente, porém não é o que acontece. Parece que Carleson jogou algumas informações a esmo, apenas para preencher páginas, o que me frustrou bastante.

Audie é uma protagonista bastante controversa, do tipo que ou você ama ou você odeia. Particularmente, eu sou do tipo que odiou. Pelo menos até a metade do livro. Grande parte das suas atitudes me incomodaram e certas horas eu tinha vontade de entrar na história e lhe dar uns bons tapas. Porém, mais à frente, a autora explica alguns motivos para Audie ser quem é e isso me fez entender certas coisas, mas não diminuiu tanto assim meu ódio.

Os personagens secundários foram bem desenvolvidos, mas senti falta de um pouco mais de aprofundamento em alguns. Fiquei bastante curioso a respeito de Jameson, mas ele foi um personagem raso na trama. Teve sua importância para definir certos acontecimentos, mas não teve sua personalidade muito explorada. Infelizmente.

O final foi o que me deixou de queixo caído. A história estava rumando para o desastre e me peguei pensando em abandonar o livro faltando mais ou menos um terço para acabar. Mas então Carleson inseriu uma grande reviravolta que me fez entender os motivos do livro ser tão elogiado lá fora. Não posso dizer o que aconteceu, por ser spoiler, mas deixo dito que não estava preparado para aquilo e tirei o chapéu para a autora.

Sobre a edição física, não há muito a comentar. A capa é uma adaptação da original e, no geral, me agrada bastante. A diagramação é simples, o espaçamento é bom, as páginas são amareladas e a fonte é grande. A revisão está ótima, mas devo dizer que encontrei alguns erros bobinhos durante a leitura e espero que estes sejam corrigidos na próxima edição do livro.

Placebo Junkies é diferente do que eu imaginava, mas mesmo assim me surpreendeu com seu final chocante. Não posso deixar de recomendar a todos, só peço que não façam como eu e se aventurem sem expectativas. Talvez você desfrute ainda mais dessa forma.



Beijos e até a próxima!

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Ei, eu sou a Barb, tenho 27 anos, sou baiana, estudei Letras e compartilho conteúdo desde 2010 na internet. Por aqui, escrevo sobre tudo que faz meu coração bater mais forte.

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