sobre livros e a vida

17/05/2016

Tá Na Estante :: ‘Menina Má’ #530

Oi, gente. Tudo bem?

Estou de volta com mais uma resenha para vocês. O livro da vez é mais uma cortesia recebida em parceria com a Darkside Books. Vamos conferir?!

Livro: Menina Má
Autor: William March
Editora: Darkside Books
Páginas: 272
Sinopse: Publicado originalmente em 1954, Menina Má se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro apavorantemente bom. Ernest Hemingway se declarou um fã. Em menos de um ano, Menina Má ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark. Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também. MENINA MÁ é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.

Christine Penmark nunca imaginou que teria tanta sorte na vida. Aos 24 anos ainda estava solteira e quando Kennet cruzou seu caminho e a pediu em casamento, sua felicidade estava só começando. Anos depois nasceu a pequena Rhoda e Christine finalmente poderia dizer que tinha a vida que pedira a Deus, mesmo com o marido, um importante tenente da Marinha, sempre viajando a trabalho, ela tinha a companhia da filha e amava sua pacata vida de dona de casa.
Quando os Penmark mudaram-se para uma nova cidade, logo se viram introduzidos nessa nova sociedade. Christine ficou muito amiga da senhora que vivia no apartamento em cima do seu, a desbocada Monica Breedlove, e a pequena Rhoda, agora com oito anos, conquistava a todos com seu charme infantil, caracterizado em seus vestidos esvoaçantes e em suas tranças loiras bem arrumadas.
Christine matriculou Rhoda na escola das irmãs Fern, um lugar muito bem recomendado, frequentado apenas por filhos de pessoas de muitas posses. Rhoda era uma menina muito aplicada, mas sua personalidade adulta e um tanto fria para com as outras crianças a afastava de ter novas amizades. Christine achava que isso era apenas uma fase e logo Rhoda sairia da casca. Isso até o dia do fatídico piquenique.
As irmãs Fern fazem todo ano um concurso que premia com uma medalha a criança que mais desenvolveu sua caligrafia durante o período letivo. Rhoda, com sua escrita impecável, tinha certeza que levaria o prêmio, mas se viu derrotada por Claude, um menino tímido e solitário. No piquenique anual que precedia as férias de verão, um “acidente” aconteceu e Claude fora encontrado morto perto de um cais abandonado. Sua medalha, que antes estava presa ao seu paletó. estava desaparecida.

Quando as crianças voltam do piquenique, Christine tem certeza de que sua filha estará abalada com a morte do coleguinha, mas surpreende-se ao ver que Rhoda não mostra nenhum sinal de choque. Pelo contrário, parecia até contente com o que havia acontecido e seguia sua vida normalmente. Christine sabia do jeito calculista e impenetrável da filha, mas não esperava que tanto.

Aos poucos, Christine começa a observar certas atitudes de Rhoda e associa-las com casos de seu passado. Conforme mais vai se lembrando, mais começa a se questionar sobre o que aconteceu naquele cais no dia do piquenique. Seria Rhoda realmente capaz de matar o pequeno Claude apenas para tirar sua medalha? Se sim, de onde veio essa crueldade da menina?

A partir daí, Christine começa a investigar casos de pessoas psicopatas e vai se surpreendendo com o quanto certos aspectos assemelham-se quase que totalmente com sua filha. Quando uma informação bombástica cai em seu colo, Christine precisa buscar uma solução rapidamente, antes que essa bomba estoure e destrua tudo ao seu redor.
Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler.
Lançado originalmente em 1954, Menina Má – no original, The Bad Seed – tornou-se um sucesso e logo ganhou adaptação para os palcos e então para o cinema, uma produção indicada a quatro Oscar. Quando a Darkside anunciou o lançamento da obra, com essa edição maravilhosa, minha vontade de ler foi instantânea e logo solicitei meu exemplar para editora. E confesso que não estava preparado para o que encontrei.

Por ser um livro antigo, a linguagem da obra é um tanto pomposa, característica inata dos escritores da década de 50. Demorei um pouquinho a me acostumar com esse estilo, mas quando o livro finalmente engrenou, ali pela página sessenta, foi impossível parar de ler até chegar ao fim. A escrita de William March é bastante detalhista e insere bem o leitor na trama.
A narrativa é feita em terceira pessoa e aborda principalmente a perspectiva de Christine, mas outros personagens também tem sua visão descrita. Devo dizer que senti um pouco de falta de entrar na mente de Rhoda, mas acho que acompanhar suas diabruras pela visão da mãe tornou a experiência muito mais tensa e excitante.

Christine Penmark é aquela típica dona de casa dos anos 50, que se preocupa apenas em manter seu lar e cuidar da filha. Vê-la ter seu mundo virar de cabeça para baixo por conta das suspeitas acerca da filha foi bastante instigante e perturbador. Em vários momentos me vi sofrendo junto com ela, mas confesso que em outros queria lhe dar uns bons tapas.
Rhoda é uma completa endiabrada. Ela é fria, calculista e sabe bem como enganar as pessoas para conseguir o que deseja. Sua carinha de anjo consegue iludir a todos e ela lhe tratará bem até conseguir o que quer e ai de você se negar qualquer coisa. O ímpeto dela é tremendo e se você ficar em seu caminho, as consequências podem ser tenebrosas.

A única pessoa que não cai no jogo de Rhoda é o porteiro do prédio onde a menina mora, o desprezível Leroy. O homem acha que é um injustiçado por Deus e odeia a todos que tem um padrão de vida melhor que o dele, assim destratando praticamente todos que cruzam seu caminho. Leroy sabe que existe algo maquiavélico em Rhoda e adora provocar a menina. No fundo ele sabe que os dois são iguais e não perde a oportunidade de mostrar isso a ela.

O final do livro foi extremamente surpreendente. Já esperava a resolução da forma como foi apresentada, mas posso afirmar que mesmo assim foi um choque vê-la descrita ali nas últimas páginas. March desenvolveu uma trama única, ligando pontas que pareciam não ter conexão nenhuma e dando então um impacto maior no desfecho. Amei demais.
Sobre a edição física, o que dizer? Que a Darkside arrasa não há duvidas, mas esse livro é um dos mais lindos que já vi. O tom de rosa da capa, as tesouras em todo começo de capítulo, os desenhos representando Rhoda no começo e no fim do livro… Tudo se ornou perfeitamente, deixando o livro espetacular. As páginas são amareladas, a fonte é grande e a revisão está impecável.
Menina Má leva para casa 5 estrelas e o posto de favoritado. Essa obra antiga consegue ser extremamente atual e lidar com um tema tão tabu de uma forma tão única que é impossível não se render. Com certeza recomendo a todos. Vale muito a pena!



Beijos e até a próxima!

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