sobre livros e a vida

02/06/2016

Tá Na Estante :: ‘Dama da Meia-Noite’ #536

E aí pessoal, tudo bem?

Voltei novamente com uma resenha desse mundo adorado por tantos, o mundo dos Caçadores de Sombras. O livro de hoje é o Dama da Meia-Noite, primeiro volume de Os Artifícios Das Trevas, a nova trilogia da Cassandra Clare.

Livro: A Dama da Meia-Noite
Série: Os Artifícios das Trevas #01
Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
Páginas: 574
Sinopse: Em um mundo secreto onde guerreiros meio-anjo juraram lutar contra demônios, parabatai é uma palavra sagrada.

O parabatai é o seu parceiro na batalha. O parabatai é seu melhor amigo. Parabatai pode ser tudo para o outro mas eles nunca podem se apaixonar. Emma Carstairs é uma Caçadora de Sombras, uma em uma longa linhagem de Caçadores de Sombras encarregados de protegerem o mundo de demônios. Com seu parabatai Julian Blackthorn, ela patrulha as ruas de uma Los Angeles escondida onde os vampiros fazem festa na Sunset Strip, e fadas estão à beira de uma guerra aberta com os Caçadores de Sombras. Quando corpos de seres humanos e fadas começam a aparecer mortos da mesma forma que os pais de Emma foram assassinados anos atrás, uma aliança é formada. Esta é a chance de Emma de vingança e a possibilidade de Julian ter de volta seu meio-irmão fada, Mark, que foi sequestrado há cinco anos. Tudo que Emma, Mark e Julian tem a fazer é resolver os assassinatos dentro de duas semanas antes que o assassino coloque eles na mira. Suas buscas levam Emma de cavernas no mar cheias de magia para uma loteria sombria onde a morte é dispensada. Enquanto ela vai descobrindo seu passado, ela começa a confrontar os segredos do presente: O que Julian vem escondendo dela todos esses anos? Por que a Lei Shadowhunter proíbe parabatais de se apaixonarem? Quem realmente matou seus pais e ela pode suportar saber a verdade?

Em Cidade do Fogo Celestial, Sebastian Morgenstern “recrutou” Caçadores de Sombras para a criação de seu exército de soldados Crepusculares com o intuito de aniquilar a Clave. Com a ajuda do Povo das Fadas, Sebastian deu início a série de eventos que mais tarde seriam conhecidos como a Guerra Maligna. Durante as invasões e batalhas muitas vidas foram perdidas, incluindo as dos pais de Emma Carstairs, que junto das demais foram adicionadas o saldo de assassinatos de Sebastian.
Após a Guerra Maligna, Emma passou a morar com os Blackthorn no instituto de Los Angeles. A garota sempre os viu como uma segunda família, especialmente seu parabatai Julian Blackthorn, que após a morte de seu pai e o afastamento de seu irmão Mark e de sua irmã Helen pela lei que bania os seres feéricos dos Acordos e ficou conhecida como Paz Fria, teve que amadurecer precocemente (como boa parte dos Caçadores de Sombras) e se tornar o chefe da casa.
Anos se passaram e contrariando quase todos que a rodeiam, Emma continua em sua jornada para encontrar fragmentos e pistas que provem para a Clave que ela está certa e que a morte de seus pais ainda não foi resolvida. As marcas desconhecidas e as condições em que os corpos foram encontrados não condizem com o padrão dos outros assassinatos cometidos por Sebastian.

Em uma dessas buscas por fragmentos, Emma descobre que assassinatos onde as vítimas tiveram seus corpos marcados voltaram a acontecer. Seguindo uma pista dada por um conhecido de longa data, a garota e sua mais nova companheira Cristina, uma Caçadora de Sombras mexicana fazendo intercâmbio em Los Angeles, descobrem que não são apenas marcas e sim marcas exatamente iguais às encontradas nos corpos de seus pais.
Depois de uma investigação um pouco mais profunda com sua tutora, a garota descobre que a Clave já está informada dos recentes acontecimentos mas não interveio pois alguns dos corpos encontrados pertenciam a fadas e uma investigação por parte dos Caçadores de Sombras feriria a controversa Paz Fria.
Quando tudo parecia não poder piorar, os Caçadores recebem uma inesperada visita do Povo das Fadas trazendo para eles uma faca de dois gumes. Os seres feéricos oferecem o retorno de algo muito importando para os Blackthorn mas para isso a família precisará ir totalmente contras as regras da Clave e descobrir quem está por trás das misteriosas mortes em apenas 15 dias ou o trato será desfeito.
Com o acordo firmado e apenas uma única pista, os Caçadores embarcarão em segredo em uma perigosa aventura em busca da verdade por trás dos recentes acontecimentos e da morte dos pais de Emma.
— Quando você ama alguém, a pessoa se torna parte de quem você é. Está presente em tudo que você faz. Ela é o ar que você respira, a água que você bebe e o sangue que corre em suas veias. O toque dela fica na sua pele, a voz permanece nos seus ouvidos, e, os pensamentos, na sua cabeça. Você conhece os sonhos da pessoa, porque os pesadelos agridem seu coração, e os sonhos bons também são os seus. E você não acha que a pessoa é perfeita, mas conhece os defeitos dela, sua verdade profunda e as sombras de todos os segredos que ela carrega, esses segredos não te assustam; na verdade, fazem com que você ame ainda mais, porque você não quer perfeição. Você quer a pessoa.
Quando Dama da Meia-Noite foi anunciado eu tive muitos sentimentos controversos correndo por mim ao mesmo tempo. Pois embora eu estivesse extremamente feliz por ter um pouco mais desse mundo que eu tanto amo também tive um pouco de receio de ser mais uma prolongação desnecessária da série que inicialmente era uma trilogia e já está no seu 12º livro (contando com As Crônicas de Bane e O Códex Dos Caçadores de Sombras) e ter mais um Cidade Dos Anjos Caídos jogado na minha cara. Para aumentar ainda mais minha preocupação, tivemos a apresentação de Emma em Cidade Do Fogo Celestial e a personagem nos seus 12 anos não conseguiu me cativar de maneira alguma.

É com muito prazer que digo que toda a preocupação foi desnecessária. Nos primeiros capítulos já foi possível notar um imenso amadurecimento na narrativa da autora mostrando que escrevendo sozinha ela consegue sim dar conta do recado. O livro que é narrado em terceira pessoa conta com a escrita super fluida de Cassandra  que faz você passar voando pelos capítulos que não são tão pequenos quanto os que normalmente encontramos em livros YA.
O único ponto negativo da narrativa nesse livro (para quem já leu os anteriores) é a constante repetição de coisas que já sabemos. Como o livro pode ser sua porta de entrada para a série, muitos fundamentos básicos são explicados novamente, o que pode ser um pouco irritante para algumas pessoas como foi para mim, mas que não tira pontos no geral.

Os personagens que nos foram jogados sem aviso no início do último livro de Os Instrumentos Mortais finalmente tiveram um desenvolvimento e realmente tomaram forma como personagens completos e funcionais e não só nomes aleatórios dos quais você não se lembra no fim da história.
Conhecemos um pouco mais sobre os irmãos de Julian e após descobrir os desejos e anseios de cada um, conseguimos criar um laço mais forte com os mesmos. Tavvy, Livvy, Ty e Dru possuem características completamente distintas mas que juntas se completam de uma forma maravilhosa.
Falando em personagens eu preciso citar a personagem principal Emma e seu parabatai Julian que embora separados consigam ser extremamente cativantes, juntos conseguem nos irritar um pouco graças a incessável necessidade da autora em criar um romance proibido. Soa familiar? Exatamente. Nas duas outras séries que precederam Os Artifícios Das Trevas a autora já tinha explorado esse clichê e aparentemente não foi o suficiente. Tirando esse pequeno detalhe o livro conseguiu me prender do início ao fim.
Em questões físicas o livro está muito bem feito. O design da capa feita por Russell Gordon que vai desde o tratamento da foto tirada por Cliff Nielsen até os acabamentos está simplesmente maravilhoso e para mim é a melhor capa do universo da autora até o momento. O trabalho da Galera continua o mesmo, pastilhas holográficas na capa para a primeira edição, páginas amareladas com bom espaçamento e uma fonte razoável. Nessa edição ainda temos um mapa e um capitulo extra.
Infelizmente a editora manteve tanto o padrão que até as duas coisas que me irritam também estão presentes. A primeira é a impressão do texto que consegue ser completamente desregular ao ponto de termos páginas inteiras praticamente em “negrito”. E a segunda é o fato de que mesmo Cassandra sendo umas das autoras que mais gera lucro para a editora, ela aparentemente não merece uma revisão decente, tendo em vista que esse foi um dos livros dela com mais erros bobos.
Dama da Meia-Noite é com certeza o melhor início de trilogia escrito pela a autora e consegue nos deixar ansiosos para as continuações. O livro definitivamente merece ser recomendado para os já amantes da série e também para aqueles que ainda não se aventuraram no mundo dos caçadores de sombras mas estão esperando uma boa oportunidade.

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