sobre livros e a vida

21/02/2019

Na Telona :: ‘A Morte Te Dá Parabéns 2’

O gênero terror é um enorme campo de possibilidades, mas nos últimos anos é notório o desgaste que esse tipo de narrativa vem sofrendo e um declínio considerável na qualidade cinematográfica no geral, onde vemos produções seguirem sempre o mesmo padrão não se permitindo ousar e nem se reinventar.

Essa renovação nos filmes do gênero não elimina a possibilidade de utilizar abordagens já estabelecidas em diferentes longas, mas sim endossa a ideia de criar uma obra original que traga junto com o gênero horror uma característica que o lhe diferencie dos demais longas, e isso aconteceu com “A Morte te dá Parabéns (2017)”.

Este é um filme que não se envergonha de se assumir escrachado, não se levando a sério e criando um filme com identidade própria apesar de utilizar elementos apresentados em filmes anteriores como o fato de reviver o mesmo dia inúmeras vezes já apresentado em “Feitiço do Tempo (1993)” este sendo o clássico de comédia romântica estrelado por Bill Murray, no qual o longa se assemelha bastante apesar da diferença de gênero.

Creditado como um filme de terror, vemos uma dualidade dos tons apresentados no primeiro longa que se estende diretamente a sequência lançada menos de dois anos depois, sendo uma continuação direta do filme original trazendo novamente Tree (Jessica Rothe) que mantém uma atuação divertida, trazendo uma personagem carismática e ao mesmo tempo com lampejos de dramaticidade que surpreende quem assiste.

No longa anterior e grande parte desse segundo filme, temos uma veia cômica muito característica, mostrando que essa mescla entre tons pode ser bem feita contanto que o filme se assuma dessa forma. O grande problema de “A Morte te dá Parabéns 2 (2019)” é justamente querer ser maior do que ele realmente é, se levando muito a sério em alguns momentos e tentando explicar demais os motivos pelos quais as situações acontecem, o que acaba tirando o fator mistério tão presente no primeiro filme.

O motivo pelo qual essas justificativas são expostas é coerente mas não parece ter sido a melhor saída, já que tirou a grande essência que o antecessor construiu. A continuação tem seus méritos em mostrar alguma evolução de personagens, como a narrativa segue a mesma premissa do primeiro é difícil mensurar isso já que ambos vivem o mesmo dia várias vezes.

Porém, se baseando na protagonista, seus traumas do passado e toda sua construção como personagem faz com que nos importemos com ela e sua relação com Carter (Israel Broussard) que aqui se mantém como um coadjuvante, ficando a sombra de Tree.

Contudo, ele funciona como peça chave para entendermos em que realidade a trama se encontra, já que esse elemento de realidade alternativa é abordado de uma maneira que até funciona no sentido de assim conseguirmos identificar as demais camadas da protagonista, abrindo espaço para explorar o seu lado mais sentimental.

A maneira que o filme trabalha isso é problemática no sentido de tentar trazer explicações genéricas e mirabolantes demais, perdendo sua essência que está presente no primeiro longa e aqui nesta sequência em alguns momentos é deixada de lado.

Quando o filme se assume de fato e começa a não se levar tanto a sério, temos as melhores cenas que aqui estão cada vez mais atreladas ao humor do que a o horror em si. Ele consegue divertir quando consegue rir das próprias situações.

Só que a narrativa claramente busca um aprofundamento maior, o que funciona em certos momentos, principalmente na relação entre Tree e sua mãe que rende situações bem comoventes, sendo um contraponto para todos os outros personagens que são todos funcionais na maioria das vezes e rendem momentos hilários, com diálogos divertidos e situações que de tão bizarras fica difícil controlar o riso.

A Morte te dá Parabéns 2 tem algumas mudanças de tons que atrapalham em certos momentos, mas é inegável dizer que é uma sequência digna de ser assistida, principalmente pra quem gosta da premissa estabelecida ainda no primeiro longa que termina exatamente onde esse dá seu ponto de partida, dando a impressão que é como se fosse um filme apenas dividido em duas partes e mantendo a esperança de uma continuação considerando que o filme não se preocupa em seguir uma abordagem linear.

Ei, eu sou a Barb, tenho 27 anos, sou baiana, estudei Letras e compartilho conteúdo desde 2010 na internet. Por aqui, escrevo sobre tudo que faz meu coração bater mais forte.

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