sobre livros e a vida

04/09/2020

Meninas Selvagens, de Rory Power

Há dezoito meses uma misteriosa doença começou a mostrar seus efeitos nas meninas da Academia Raxter, localizada em uma ilha isolada do restante do mundo. Primeiro as professoras foram desvanecendo e aos poucos as alunas foram apresentando seus primeiros sintomas, denominados por elas como erupções. Quando uma crise atacava alguma das meninas, a possibilidade de sobrevivência nem sempre era das melhores.

A única regra que prevalece em Raxter desde o início da Tox é de que não se deve furar a quarentena de forma alguma. A cada semana a base militar mais próxima envia uma quantidade de mantimentos para abastecerem as prateleiras da Academia e a Equipe do Barco, um grupo de quatro meninas, é o único que pode deixar o terreno da escola para buscá-los.

Hetty passa seu tempo com suas melhores amigas Byatt e Reese, sempre com a esperança de que uma cura chegará em breve. Filha de um militar, Hetty tem certeza que seu pai não deixará a filha ali para morrer. As três meninas já tiveram suas primeiras erupções e agora aprendem a conviver com as consequências das mesmas. Hetty perdeu um olho para a Tox, mas mesmo assim é uma exímia atiradora e faz parte do grupo do telhado, onde faz vigília dos portões, atirando em tudo que seja suspeito.

Quando uma nova vaga aparece na Equipe do Barco, Reese tem certeza de que será a escolhida, já que este é seu maior desejo. O pai da garota era zelador de Raxter e quando a Tox o atingiu, decidiu que o melhor a ser feito seria ir embora. Fazendo parte da Equipe, Reese espera que consiga saber do paradeiro de seu pai. Contudo, para surpresa de todos, quem ganha a vaga é Hetty, para o desespero de Reese.

Ao sair em sua primeira busca, Hetty descobre que as coisas são muito diferentes daquilo que imaginava. A Diretora e a Sra. Welch, as maiores autoridades dentro de Raxter, escondem coisas das meninas, segredos que podem garantir a sobrevivência de todas. Agora Hetty deverá escolher em manter esses segredos até mesmo de suas amigas ou arriscar perder sua própria vida.

Quando uma erupção severa atinge Byatt, a menina precisa subir às pressas para a enfermaria, um lugar de onde poucas retornam. E, quando Hetty vai procurá-la, descobre que sua melhor amiga desapareceu. Determinada a salvá-la, Hetty fará qualquer coisa para encontrar Byatt, até mesmo furar a quarentena. Será que ela está preparada para enfrentar as consequências de suas atitudes?

***

Desde que a Galera Record anunciou o lançamento de Meninas Selvagens, eu fiquei extremamente empolgado. Pra começo de história, a capa é belíssima e chama atenção de qualquer leitor. Além disso, a proposta de um terror feminista ambientado em uma quarentena conversa muito bem com o que estamos vivendo. Porém devo dizer que o livro é um pouco diferente do que eu esperava.

A escrita de Rory Power é muito boa, mas levei alguns bons capítulos para me ambientar em sua trama e me acostumar com sua narrativa. O livro é narrado em terceira pessoa, principalmente pela perspectiva de Hetty, mas com alguns capítulos narrados por Byatt, após a separação das duas. Gostei muito das duas personagens e de sua amizade, mas queria um pouco mais de ação por parte delas.

O que eu mais gostei no livro foi de observar os efeitos da Tox nas meninas. Diversas mutações foram acontecendo nos corpos delas e nenhum caso era igual. A Academia Raxter era repleta de alunas e, depois de um ano e meio, o número reduziu drasticamente. Elas viviam um dia após o outro, sem a garantia de que o amanhã chegaria para todas. Essa tensão foi o que me fez gostar da história, me fazendo torcer pelas minhas favoritas.

Em contrapartida, não encontrei a parte feminista da história. Sim, temos apenas personagens mulheres nessa trama, tem uma leve pitada de romance sáfico e existem muitos laços de amizade entre as meninas. Porém também temos muita rivalidade feminina, algumas tentando subjugar outras para se sobressaírem, além de que, nas partes mais críticas, era quase cada uma por si.

Minha maior decepção foi o final. Achei que a autora soube construir muito bem o clímax, mostrando que havia muito mais escondido por baixo do que ela nos fez acreditar no começo. Só que terminei o livro praticamente da mesma forma que iniciei: sem saber mais sobre a Tox. As últimas páginas foram emocionantes, mas não deram uma conclusão à história. E, pelo que andei pesquisando, não há nenhuma ideia de continuação para o livro.

Em suma, Meninas Selvagens é um livro bem escrito, que combina tensão, sobrevivência, medo e mistério de uma forma única e instigante. Sendo assim, deixo aqui minha recomendação para vocês, mas não esperem muitas respostas, pois não as terão. Depois me contem aqui nos comentários o que acharam.

Ei, eu sou a Barb, tenho 27 anos, sou baiana, estudei Letras e compartilho conteúdo desde 2010 na internet. Por aqui, escrevo sobre tudo que faz meu coração bater mais forte.

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