sobre livros e a vida

20/12/2020

Eleanor & Grey, de Brittainy C. Cherry

Eleanor nunca foi a garota mais cativante da escola, na verdade ela estava longe de ser. Sempre nos bastidores e preferindo muito mais a companhia de um livro do que a de pessoas, era assim que ela levava a sua tranquila vida. Filha única de pais amorosos, Eleanor sempre acreditou ter tudo o que precisa para ser feliz, mas quando uma pequena rachadura ameaça a vida de sua família, a jovem garota sente o chão faltar pela primeira vez.

Os pais de Eleanor, numa tentativa de entregar o máximo de normalidade possível para a vida dela, insistem para que ela acompanhe sua melhor amiga em uma das festas organizadas pelo colégio. Ela quer quer ir. Não quer deixar os pais em casa, assim como não quer estar em qualquer outro lugar se não deitada em sua cama, consumindo a nova publicação de Harry Potter, mas diante da insistência dos pais ela decide que pode consumir essa leitura debaixo de uma escada qualquer no meio da festa.

É dessa forma que Greyson a encontra. Desmotivado de qualquer brincadeira sem graça que seu melhor amigo queira fazer, Greyson se aproxima de Eleanor e descobre que, por debaixo dos suéters engraçados e da pose de durona, eles até que tem bastante em comum. Nasce então uma amizade, uma inusual amizade. Grey é da parte rica da cidade, herdeiro de uma grande empresa e vivendo em uma família fracassada. Tinha como única boa companhia o avô que faleceu recentemente. Agora sente-se largado na vida, tendo que presenciar as constantes brigas entre os pais e prometendo a si mesmo que nunca chegará a este ponto.

Eleanor e Grey tornam-se inseparáveis. Ele é o ponto de apoio durante os anos mais difíceis da vida da garota e até mesmo uma mudança de estado que impõe milhares de quilômetros entre eles não parece barrar o jovem casal de amigos que não tarda a se transformar em algo mais. O tempo, no entanto, é taciturno. A maioridade chega e traz com ela responsabilidades, incumbências que acabam por afastar o nosso casal pouco a pouco.

Anos depois a vida é completamente diferente e não foi delicada para nenhum dos nossos protagonistas. Eleanor e Grey se reencontram acidentalmente. Ela foi surrada pela vida, mas leva consigo a forma vivaz como cresceu. Ele, por outro lado, traz um passado sombrio que o transformou em uma pessoa obscura e pouco comunicativa. O menino sorridente foi embora, dando lugar ao homem carrancudo e fechado.

Agora, Eleanor e Grey terão que lidar com os sentimentos que esse reencontro desperta dentro de si, enquanto se compreendem como adultos e mergulham nesses mais de dez anos afastados. Quanta coisa pode mudar em tanto tempo?

Brittainy conseguiu, mais uma vez ela me encantou e enlouqueceu, com uma trama envolvente, dramática e absurdamente romântica. Temos aqui dois personagens que foram maltratados pela vida em diversos momentos. Enquanto os observamos crescer, sonhamos com as doses homeopáticas de romance adolescente e como isso pode ser levado de forma traiçoeira para a vida adulta, mas não esperamos que tantos anos separados os transformem em pessoas tão diferentes.

A autora brinca com as nossas expectativas já no começo do livro e segue fazendo o mesmo ao longo da história. A sensação que temos ao ler a sinopse de Eleanor & Grey é a de que vamos encontrar mais um daqueles maravilhosos clichês de reencontros. No entanto, conforme lemos, percebemos que o buraco é mais embaixo e que clichês tem diversas formas de serem apresentados.

Além do romance em si, Brittainy foca na vivência familiar dos protagonistas e em como essas experiências interferem na forma como manejam as suas próprias famílias. É um livro, também, que vai falar sore diversos tipos de luto, sobre como perder alguém nos afeta e também a forma como lidamos com essa situação.

Eleanor & Grey é um livro completo, com pequenas aberturas sobressalentes que me deixaram curiosa e pensativa sobre a trama; personagens secundários com histórias que clamam para serem contadas (e algumas serão) e uma trama que facilmente poderia encaixar na história de vida de algum parente ou conhecido. Concluí a leitura amando ainda mais a autora e ansiosa para consumir tudo o que ela produz, pois como grande romântica que sou, tenho certeza que irá me pegar de maneira primorosa.

Revisão e edição muito boas, capa que conversa bastante com a leitura. Uma leitura que todo amante de romance não pode perder. Indico demais!

Ei, eu sou a Barb, tenho 27 anos, sou baiana, estudei Letras e compartilho conteúdo desde 2010 na internet. Por aqui, escrevo sobre tudo que faz meu coração bater mais forte.

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