sobre livros e a vida

14/09/2021

A Canção de Aquiles, de Madeline Miller

Desde seu nascimento, Pátroclo é considerado uma vergonha por seu pai. Ele está bem longe de ser um guerreiro, um exemplo de filho perfeito, o que só deixa Menécio com mais raiva. Apesar disso, o rei não hesitou em levar o pequeno Pátroclo para uma tentativa de desposar a belíssima Helena, que o levou a fazer um juramento em nome da segurança da princesa.

Algum tempo depois, Pátroclo mata acidentalmente um jovem que o incomodava, o que ocasionou seu exílio. Acolhido por Peleu, o rei de Fítia, o garoto precisará treinar as artes da guerra para se tornar um soldado do exército de seu novo governante. Ele só não contava que logo faria amizade com Aquiles, filho de Peleu com a deusa Tétis.

Aquiles é um jovem fenomenal, destinado a ser o melhor soldado de sua geração. Ele se afeiçoa a Pátroclo e um lindo sentimento de amizade nasce entre os dois, mas não demora para que este laço se torne algo mais, para desprezo de Tétis. Assim, Aquiles é enviado para treinar suas habilidades com Quíron, mas Pátroclo o segue, também treinando com o centauro e conhecendo mais sobre medicina.

Ao longo dos anos, o amor de Pátroclo e Aquiles só vai aumentando, mas um chamado de Peleu os faz voltar à realidade. A esposa de Menelau, a rainha Helena, foi sequestrada por Páris, um príncipe troiano, e a guerra entre gregos e troianos foi declarada. Aquiles, por conta da profecia que o segue, precisará liderar um exército, enquanto Pátroclo precisará honrar o juramento feito na infância. Porém, como os dois garotos conseguirão esconder seus sentimentos estando no meio de uma legião de soldados? Qual será o destino deles nesta guerra?

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

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A Canção de Aquiles foi publicado originalmente no Brasil em 2013 pela Editora Jangada e foi um livro que fugiu completamente do meu radar. Eis que então, de repente, a obra fez um sucesso estrondoso no TikTok e ganhou um relançamento este ano pela Planeta Minotauro. Vendo todo este burburinho em cima desta história, é óbvio que solicitei meu exemplar e fiz esta leitura.

Eu sou um grande fã da mitologia grega desde sempre. Cresci lendo Percy Jackson e Tróia é um dos meus filmes queridinhos. Então, ter uma releitura da Ilíada, com Aquiles como protagonista e vivendo um romance com Pátroclo, parecia a trama perfeita para mim. Só que não foi bem assim que as coisas funcionaram. Eu gostei sim do livro, mas com ressalvas.

A escrita de Madeline Miller é muito boa, mas não muito fluida. Um livro desses, com pouco mais de 300 páginas, seria algo que eu devoraria em uma sentada, no máximo dois dias, mas levei quase uma semana para chegar na metade. A trama se inicia na infância dos dois protagonistas e, aos poucos, vai avançando no tempo, finalizando com eles com quase 30. Por uma boa parte da história, parecia que os acontecimentos não levavam a lugar algum.

Pelo que eu lia das resenhas, pensei que o livro focaria mais na história de amor de Pátroclo e Aquiles, mas não foi assim. É bem evidente que Pátroclo ama Aquiles e que o herói grego o ama de volta, mas não da mesma forma. Aquiles cresceu à sombra de sua própria fama e seu papel na Guerra de Troia o deixa um tanto arrogante e egoísta, colocando tudo em risco em nome dos próprios caprichos, o que fez com que eu mudasse completamente a visão que tinha do personagem.

Pátroclo é um protagonista incrível. Toda a narrativa é feita pela perspectiva dele, em primeira pessoa, e é impossível não se afeiçoar ao seu jeito doce e gentil. A devoção dele para com Aquiles é invejável e muitas vezes eu sentia pena do rapaz, por se colocar neste lugar sem muitas vezes receber o mesmo em troca. A relação de amizade dele com Briseida é lindíssima e um dos pontos mais altos do livro.

O final foi emocionante. Por se tratar de uma inspiração em uma das maiores tragédias gregas, é claro que eu já sabia que o desfecho não seria nada feliz, mas gostei da forma como Miller ordenou os acontecimentos. Faltando mais ou menos umas 30 páginas pra concluir o livro, eu já estava com o coração em frangalhos, pensando que não iria sobreviver à esta leitura. De verdade, esse final faz valer todo o resto da história.

A Canção de Aquiles é um livro bem escrito, com personagens irreverentes e uma história de amor e tragédia belíssima. Pode não ter sido bem o que eu esperava, mas tem sim o seu valor e merece ser reconhecida por isso. Sendo assim, deixo aqui minha recomendação a todos. Espero que gostem desta história!

Ei, eu sou a Barb, tenho 27 anos, sou baiana, estudei Letras e compartilho conteúdo desde 2010 na internet. Por aqui, escrevo sobre tudo que faz meu coração bater mais forte.

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